quinta-feira, 24 de março de 2022

Coisas chatas e legais

Engraçado que hoje senti necessidade de voltar aqui.

Quando cheguei, percebi que meu último post foi há um ano e dois dias.

Mas por que quis voltar?

Porque estou chateada. Preciso desabafar.

No final também pretendo falar de coisas boas, sim. Mas primeiro preciso chorar. Admitir que fiquei magoada, sim. Mesmo que tenha sido um comentário bobo, mesmo que tenha sido sem intenção de magoar, mesmo que já tenha acontecido de outra forma e sem me magoar dessa forma.

Duas alunas de uma turma vieram me perguntar se eu sabia que a outra turma andava falando de mim. Disse que não e fiz a besteira de perguntar o que era. Algo me dizia que não era bom. Algo = o tom de fala das criaturas.

Disseram que a outra turma disse que eu parecia uma rata.

E eu, do alto da minha maturidade, disse que não sabia que eles andavam falando isso, e que eu não ficava falando dos outros. E fingi seguir a vida. Disse também que não me importava. Mentira.

Aquilo me atingiu de uma maneira bem desagradável.

Todas as minhas inseguranças voltaram das profundezas da falta de autoestima.

Também vieram muitos questionamentos:

- Por que eu estava me sentindo assim com a opinião daquelas criaturas?

- Por que aquele comentário me afetava?

- Eu preciso e quero ser uma boa professora, e não uma bela professora. Não deveria me importar.

O dia todo fiquei pensando por que me sentia chateada com aquele comentário e tentando entender e explicar a mim mesma que isso não muda nada na minha vida. Claro que uma parte de mim já pensou em mil maneiras de deixar claro pros alunos que andaram falando isso que foi um comentário desagradável e infeliz. Também de comentar com as que contaram que, quando algo vai prejudicar alguém, melhor nem contar. Quando não agrega, melhor nem falar.

Enquanto escrevia isso, caíram uma ou duas lágrimas e parece que me sinto melhor em relação a essa situação. Mas não tenho certeza. Só saberei mais tarde.


Aproveitando que aqui estou, acho importante registrar o que é bom. Por que eu não pensei em vir aqui registrar o que é bom mas pensei em vir pra desabafar?

Porque é fácil contar pros outros o que é bom. Mas é difícil mostrar uma ferida.

Enfim.

Ontem foi a minha primeira aula do Mestrado do Profmat.

SIMMM, MESTRADO!

Fiz a prova em dezembro e passei. Fiquei entre os 10 classificados.

Estou indo de carona com um colega de Farroupilha e uma de São Vendelino.

Ontem, a primeira aula, foi uma palestra com uma professora de matemática da UFRGS (não ligada ao profmat) e também uma conversa com o coordenador do curso e os estudantes, ops, MESTRANDOS. Tiramos algumas dúvidas. Amanhã as aulas começam de verdade. Matemática discreta e Números reais e funções (algo assim).

Estou com medo? Bastante. Mas vamos com medo mesmo.


Enfim, desabafei sobre o que me afligia (realmente acho que me sinto melhor) e contei algo bem bom e legal. Talvez seja importante eu dizer que continuo trabalhando na particular 21h por semana e que continuo concursada 20h por semana.

Até a próxima!



EDIT: Li o post anterior a este e acho que preciso registrar algumas coisas:

*Ainda estamos em Pandemia. Na real, sim e não. As máscaras foram liberadas essa semana na nossa cidade, mas vários lugares tinham liberado a máscara e os casos estão aumentando. Eu continuo usando, tirando em situações pontuais porque realmente é muito ruim falar alto de máscara.

*Ainda estou fazendo a carteira de motorista. KKKKKrying.

Reprovei 5 vezes já na prova prática. A 1ª, porque deixei morrer numa esquina em morro, duas vezes e tbm tinha esquecido um pisca. A 2ª, nem saí da baliza pq esqueci o freio de mão acionado e o carro morreu. A 3ª, porque o avaliador achou que num cruzamento eu ia bater no outro carro, mesmo eu achando que ia dar tempo (tbm tinha deixado morrer, mas acho que ele não tinha descontado). A 4ª, porque deixei morrer uma vez na estacionada no morro e depois fiz uma conversão com "o carro desengrenado": eu estava trocando de marcha!!!! A 5ª, bati na baliza. Nunca tinha me acontecido. Vou dar uma pausa e depois farei novamente e PRECISO PASSAR. A sensação de reprovar é horrível.

Agora sim, até a próxima!


segunda-feira, 22 de março de 2021

1 ano de pandemia

Muito que bem.

Um ano de quarentena. Sei que não faz sentido essa frase, pq quarentena deveria ser 40 dias, mas é isso. Um ano que nos fechamos por causa desse vírus estúpido.

Um ano depois do fechamento abrupto, assustado, ainda estamos (talvez até mais) com medo dessa doença. Quem pega, muitas vezes fica com sequelas nada agradáveis: dificuldade pra respirar, dores de cabeça e no corpo, problemas no coração, pulmões e rins. E outras coisas que ainda podem surgir e nem sabemos... O tanto que sabemos sobre essa desgraça é tanto e tão pouco ao mesmo tempo.

Graças ao universo e às medidas que adotamos, ninguém da minha família próxima (pais, irmãos, cunhados e sogros) pegamos essa praga, pelo menos, não que a gente saiba. Volta e meia temos alguns sintomas estranhos... mas nada que precise muito ir ao médico.

Ainda bem.

Hoje o Brasil já registrou mais de 294 mil mortes. Teve um dia semana passada que foram 3 mil mortes. EM UM DIA. Ao todo, quase 12 milhões de infectados.

Preciso registrar aqui que o atual presidente falava que tudo isso de Covid era mimimi, e que vacina não funcionava, daí faz umas duas semanas que inocentaram o Lula de umas acusações e isso o tornou elegível. Então, Lula fez um discurso defendendo as vacinas e etc e imediatamente o atual presidente mudou seu discurso. A política no Brasil é uma nojeira.

Junta todo o cenário da pandemia que por si só é enlouquecedor com essas doideras políticas (sério, é um absurdo novo a cada dia) e taí a cena perfeita para que nossa saúde mental termine.

Esse final de semana nós só saímos pra ir ao mercado ontem (domingo). Fui na farmácia e Evi no mercado. No total, desde sair da garagem até entrar em casa, foram 33 minutos. Esse foi nosso passeio de final de semana. Nem fomos nos pais.

E... estou fazendo a carteira de motorista. Estou nas aulas práticas. "Mas no meio da pandemia, tu tá doida?!" Talvez, mas não. Na verdade eu me inscrevi no cfc em dezembro, que tava mais tranquilo (juro que eu pensei que não chegaríamos onde estamos hoje); fiz as aulas teóricas nas férias de janeiro, daí demorou um pouco mas fiz a prova dia 1º de fev (acertei 29 de 30), demorou uns dias até conseguir marcar e fazer o simulador e daí comecei as práticas. Vou terminá-las no dia 31 de março (se der tudo certo, acho que sim). 

A pandemia foi piorando no final de fevereiro. Tipo piorando de verdade. As aulas que seriam presenciais com revezamento foram canceladas e estão totalmente online. Isso tbm demoliu minha saúde mental, mas ok.

Eu tinha a opção de cancelar as aulas práticas, mas faria isso? Não. Já esperei tempo demais. Deixamos os vidros abertos, usamos máscara e álcool gel e vai dar tudo certo.

Enfim. Vai passar, mas quando? Tá sendo bem difícil tentar se manter sã no meio disso tudo. Eu tento ignorar as notícias pra não ficar sofrendo.

Se há um ano me dissessem que hoje estaríamos assim, eu teria enlouquecido. Prefiro nem saber quando vai terminar pra não pirar por nada. É bem triste.

Vou lá agora terminar de organizar a aula online que preparei para amanhã com os alunos de 8º e 9º. Sexta fiz com 6ºs e 7ºs e participaram 21 criaturas (de 90 e poucos da turma). Mas foi interessante, espero que amanhã seja bom também.

Até a próxima :)

sexta-feira, 27 de novembro de 2020

erro é normal e ele não me define!

 Ninguém é perfeito.

Ser perfeito é meta de gente morta.

Nenhum erro meu me define.

Nem o pior erro que já cometi.

Posso errar e está tudo bem. Ninguém é perfeito sem defeitos.

Não deixo de ser merecedora de carinho e amor porque eu erro.

Todos são merecedores de carinho e amor.


SEMPRE LEMBRAR DISSO!!!


E se quiser ver mais, catar a Elisama Santos na internet.

sexta-feira, 4 de setembro de 2020

Algumas alegrias

EU de novo!
Era tempo que eu não passava aqui duas vezes na mesma semana, né?!

Mas queria registrar aqui alguns momentos de alegria dessa semana. Percebi que o mau humor e cansaço estão sendo bem frequentes - o cansaço é permanente! - e refleti sobre alguns momentos que me senti com mais energia e feliz nesses últimos tempos.

Esses momentos foram quando:
-Terminou aula online: eu me preparo pra aula, fico nervosa um pouco, mas quando termina eu to ligada no 220v. Mesmo que não saia perfeito, só de ver os alunos, interagir com eles, ouví-los, já dá um quentinho no coração.
-Encontro o mozão no final do dia: nossa, ele me dá uma paz interior. Mesmo que logo depois eu já esteja implicando com alguma coisa ou incomodando ele ou a gente se desentendendo de leve - principalmente nos dias mais punks, quando os dois estão estressados - a gente logo se entende e se abraça e fica tudo bem. É um mundo a parte, sabe.

Tem alguns momentos que não me dão tanta energia, mas que estão me fazendo bem (mesmo que às vezes eu tenha preguiça e acabe não querendo fazê-los), como meu skincare. Fui na dermato semana passada e ela me receitou cremes e pomadas e deu orientações para cuidar melhor da minha pele. Eu estava com várias manchas no torax e barriga (segundo ela, fúngicas) e reclamei das espinhas tbm (lá vem um comprimido que custa 200 pilas) e manchas no rosto. Estou lavando o rosto e aplicando hidratante/pomada para rosácea há uma semana e ontem parecia que meu rosto estava expulsando todos os cravos do queixo. Parecia tbm que entre as sobrancelhas estava descamando um pouco. Não sei se isso é bom ou ruim mas enfim, seguimos.

Um momento bem legal é ver as atividades dos alunos (o chato é ter que salvar uma por uma e que isso leva um tempãaaaao). Mas eu gosto de ver as atividades bonitas que eles fazem.

Acho que por enquanto eras isso.

Quero deixar registrado pra lembrar depois que MAIS IMPORTANTE QUE FAZER TUDO É FAZER O QUE É POSSÍVEL e NÃO PIRAR!!!
 

segunda-feira, 31 de agosto de 2020

Reflexões

Gente, difícil viu.

Estou participando de um curso. A prefeitura sempre fornece uma formação no meio do ano, um congresso ou algo do gênero, mas, com a pandemia isso se tornou inviável. Então aderiram a um seminário do Sesc. Estamos na terceira semana, total de 9 palestras (na verdade as duas últimas são oficinas). Muito boas, com pessoas competentes, transmitidas pelo youtube, profes de 59 municípios gaúchos participando. Bem interessante.
Temas variados, mas basicamente sobre pandemia e educação.

Todas que consegui assistir com atenção me levaram a várias reflexões. Algumas bem profundas, como a de hoje, que é sobre como se reestruturar a partir de agora.

Algumas vivências que estou tendo nesse período me dizem que sou merecedora de tudo o que estou vivendo, do que tenho, do amor que recebo. Difícil de entender, sabe.
Sexta-feira o mozão apareceu com um celular novo pra mim, porque o meu estava dando pau. Mais do que comprar o celular sem a minha autorização, ele me disse que fez isso porque EU NÃO FARIA. Eu não me vejo merecedora de coisas boas, sabe, se fosse esperar por mim, eu não compraria. Eu digo que é porque não queria gastar esse dinheiro agora, que é porque eu queria usar pra fazer a carteira de motorista - que eu estou enrolando HÁ 8 ANOS. E ainda não fiz. Agora estou esperando normalizar as provas que com a pandemia ficaram atrasadas... Ano passado foi porque usamos o dinheiro para comprar o apto. Antes eu não tinha dinheiro... quando eu tinha gastei indo pra Portugal. E assim vai. Meus motivos parecem bons, mas será que não estou me sabotando esse tempo todo?

Uma música - a última - cantada na palestra de hoje dizia
"Eu sou um ser divino, divina,
Imensamente amado, amada,
Eu mereço estar aqui,
Eu mereço estar aqui,
Eu mereço estar aqui".

Eu mereço tudo o que tenho: as coisas boas e as ruins.
Eu mereço ter alguém que me ama e me cuida como o Mozi faz.
Eu mereço ter o lugar onde moro, onde posso ter a minha paz.
Eu mereço ter os empregos que tenho.
Eu mereço ter os problemas que tenho.
Quem decide como lidar com eles sou eu!

No início da palestra de hoje, ele falou que vivemos em movimento, desde antes de nossa fecundação. E que nós assinamos um contrato, um combinado, com Deus ou seja lá quem que seja que gere esse universo, e que tudo o que passamos está nesse contrato, nesse combinado.
A pandemia estava nesse contrato.
A maneira com que lidamos com cada situação somos nós que decidimos.

Eu preciso ter as rédeas da minha vida. Quem diz isso nesse momento sou eu.
Eu preciso ter um controle maior de como lidar com cada momento, cada situação, como responder a certas situações. Eu preciso viver o momento: tomar banho pensando no banho, cozinhar pensando na comida, trabalhar pensando nos alunos. Isso é muito difícil nessa época.

Quando eu estava no intercâmbio, longe daqui, pensava muito nisso aqui. Quando voltei pra cá, só pensava em Aveiro. É impossível viver bem assim! VIVER O MOMENTO É FUNDAMENTAL.

Quis registrar isso aqui para que eu me lembre disso no futuro. Preciso ser gentil comigo mesma! Isso precisa ser quase que meu mantra.

EDIT: só pra atualizar: No boletim de ontem daqui, 3019 casos de covid-19 e 101 óbitos. Punk.

quinta-feira, 23 de julho de 2020

Crises e crises

Então, faz uns dias que queria passar por aqui.
Devia ter passado, colocar pra fora sempre me ajudou a lidar com os meus sentimentos e emoções.

Tive alguns dias bem difíceis nas últimas semanas. Relendo o último post, percebo que esses dias difíceis vem desde abril.

Continuamos em quarentena. No município já morreram mais de 50 pessoas com esse vírus e no país a média é de 1000 mortes por dia. Sim, mil. Já estamos em mais de 82 mil mortes. É muita coisa. Culpa de muita gente que não está seguindo as orientações.
Precisamos usar máscara toda a vez que saímos de casa. Se me dissessem isso há um ano, seria surreal! Cada vez que tocamos em alguma coisa, precisamos usar álcool gel. Vamos nos nossos pais uma vez por semana, pra dar uma passadinha rápida, coisa de uma hora no máximo. Sempre de máscara, usando álcool gel e lavando as mãos. Vamos ao mercado uma vez por semana, sempre tendo que higienizar todas as compras. Agora, quatro meses depois do início da quarentena, não higienizamos mais tuuuudo o que compramos (pq é um saco!). Só higienizamos o que vamos usar na hora, se for legume ou verdura ou se for pra geladeira. Se não for nada disso, deixamos por uns dias descansando no quartinho. Por exemplo, o que compramos sábado (hoje é quinta) ainda está no quartinho. É o mozão que vai guardar (temos pouco espaço de armazenamento e eu sou péssima nisso). 
No município, estamos dando aulas online desde a segunda quinzena de maio. Trabalhamos 5x mais e o retorno é 5x menor. Na particular, voltei ao trabalho presencial na segunda quinzena de abril e estou fazendo milhões de coisas que não seriam as minhas coisas. Resultado: não consigo fazer o que me compete.
Por tudo isso, entrei em parafuso.

Parei e percebi que estou reclamando de tudo. Que minha mente me compara a tudo imediatamente, sem eu perceber conscientemente. Que se vejo alguma foto de alguma outra casa, por exemplo, na hora meu cérebro percebe o que tem lá que não tenho aqui: que falta uma poltrona, que meu rack está sujo de pó e eu não limpei ainda, que faltam quadros de decoração, essas coisas completamente idiotas. E o pior: isso me incomoda. Essas coisas faltarem acabam me incomodando, por mais que NA REALIDADE MESMO eu nem esteja preocupada com isso, eu nem usaria muito a poltrona, eu enjoaria dos quadros.
Eu estou também tomando qualquer crítica pro pessoal. Nunca acho que fiz o suficiente. Os prazos me pressionam, me engolem. Qualquer coisa que eu tenha que fazer e que tenha um prazo, me esmaga, e eu não consigo fazer. Eu estou produzindo pouco. Odeio o sistema do município, é lento, me incomoda muito, acabo não mexendo e não fazendo o que preciso fazer.

Estive lendo sobre tudo o que estou sentindo pra tentar me curar sozinha. Descobri a EFT (https://www.eftbrasil.com.br/), estou tentando usar, mas não vi nenhum resultado significativo ainda. Tentei fazer yoga também, vamos vendo. Voltei a ler e estou evitando um pouco as redes sociais. Eu e o mozi estamos indo caminhar (hoje será o segundo dia). É horrível fazer exercício físico usando máscara.

Ontem fui na psicóloga, ela tentou me ajudar mas não sei até que ponto valeu a pena. Parece que ela não entende algumas coisas que eu falo. Ela disse que é natural eu estar sentindo tudo isso, que 90% das pessoas também está assim, mas que é preciso relaxar, diminuir o nível de exigência de si mesma, colocar metas, e fazer o que for possível. Não se incomodar com o impossível. Eu juro que eu estou tentando, mas não é fácil.

Enfim, tenho que fechar todas as notas até segunda (não consegui nem começar porque algo me bloqueia, mas vou conseguir começar hoje, tenho fé). Essa semana estou de férias da particular, volto na segunda.

Vamos lá. Preciso melhorar e passar por isso. Eu sei o quanto eu sou boa e competente e sei que posso conseguir.
Mas é difícil...

segunda-feira, 6 de abril de 2020

Crise (e não só do Corona Vírus)

Em tempos de crise sempre reapareço por aqui.
E que crise. Mundial.

Corona vírus. Fico curiosa sobre como lembrarei dessa época daqui um ano, daqui cinco anos, vinte anos.

Já estamos morando no apê. Nos mudamos no final de fevereiro. Ainda não instalamos o forno elétrico, porque a válvula de gás ficou atrás do espaço do forno e ele não cabe como deveria, então teremos que acrescentar uma frente ao móvel para que dê espaço pro forno.

E estamos de quarentena. Eu, desde o dia 20 de março (18º dia). As aulas do município só voltam em maio (isto se não alterarem as datas) e da particular também, porém, na segunda estou trabalhando em regime home office e, se bem conheço, terei que voltar ao trabalho presencial antes dos alunos.
O Mozão esteve de quarentena também desde o dia 21 até ontem. Hoje voltou ao trabalho.

Quero escrever aqui sobre como foi a quarentena e esse primeiro mês morando com Ele. E também escrever sobre como estou me sentindo sobre o trabalho na particular. E também sobre essa época de crise decorrente do Corona Vírus.

Primeiro, vou escrever sobre a particular (tentar deixar o assunto bom pro final pra terminar feliz). Esse ano está sendo diferente do ano passado. Me sinto deslocada. Estou sendo cobrada por coisas que eu não sabia que me competiam (na verdade não competiam a mim). O tão esperado aumento de salário não apareceu e nem tenho coragem de pedir nas atuais circunstâncias (mesmo antes da quarentena). O que estou tendo vontade de pedir é demissão.
Eu gostava muito de trabalhar lá. Mas não suporto que fiquem dizendo "quem não trabalhar direito é rua", "quem não estiver fazendo seu trabalho, quem não estiver estudando, sinto muito, mas vai sair". Então manda embora de uma vez. Chama na sala e fala. Mas não fica dizendo no geral assim. Eu fico mesmo chateada. Não me sinto bem.
Sempre me falaram da grande chefe. Que era uma pessoa difícil, dura, mas ela sempre tinha me tratado bem, e eu respondia isso: sempre fui bem tratada, não posso reclamar. Muito bem, chegou minha hora de ser tratada da maneira que todos são. Eu não me importo de ser cobrada de algo que não fiz. Até fico chateada, mas comigo mesma. Mas ser cobrada por coisas que não me cabem? Ah, isso me chateia muito! Odeio estar na posição de incompetente sendo que nem tenho culpa. Enfim, ou as coisas mudam ou não vou aguentar por muito tempo. Não mereço ser tratada dessa maneira. Pedi pra conversar com a chefe (não a grande) hoje por telefone, vamos ver o que ela vai dizer, mas quero mais clareza no que preciso fazer para que eu seja cobrada com motivo, pelo menos.

Agora, essa coisa toda de corona vírus. Não gosto de ficar repetindo o nome do bicho, parece que o atraio. Não que ficar sem falar dele vai me fazer ficar imune ou distante mas enfim.
O que sabemos até agora é que ele surgiu na China no final do ano passado, já infectou milhares de pessoas no mundo todo (sim todinho) e já morreu muita gente. Em países como a China, Itália, Equador e EUA os sistemas de saúde entraram em colapso. Aqui no estado do Amazonas já decretaram que o sistema de saúde entrou em colapso. Isso porque o vírus se alastra muito rápido, então muitas pessoas ficam contaminadas ao mesmo tempo. Mesmo que apenas uma pequena porcentagem precise de internação, uma pequena porcentagem de uma grande quantidade acaba sendo uma quantidade grande também, ainda mais se comparado ao número de leitos de UTI disponíveis nos sistemas de saúde. Isso considerando os públicos e os particulares. Não há leitos suficientes para todos. Ainda mais porque não é só para os contaminados com os vírus: as outras doenças continuam acontecendo.
Li alguns relatos bem tristes sobre pessoas que se contaminaram e faleceram rapidamente, com a família sem entender direito o que estava acontecendo, sem direito a velório ou velório de apenas uma hora, cidades onde as pessoas estão morrendo em casa porque não há leitos em hospitais e as famílias ficam com os corpos em casa, outros locais onde os corpos estão nas ruas, enfim, histórias desoladoras.
Estou pedindo que meus pais fiquem em casa. Estou ficando em casa. São 18 dias onde saí somente quatro vezes: três delas fomos ao mercado e na casa dos meus pais e sogros. Na última, somente no mercado. Em todas as vezes, tomando as precauções indicadas, como a distância mínima de outras pessoas, nada de abraços e beijos, não tocar o rosto, chegar em casa e trocar toda a roupa, lavando a roupa da rua, tirando o calçado perto da porta, higienizando todas as compras e celulares e cartões e etc.
Todos dizem que nada parecido foi vivido pela sociedade atual. Essa crise assemelha-se à gripe espanhola, que aconteceu por volta de 1918, há mais de 100 anos, então, há poucas pessoas que passaram por ambas crises.
É bem assustador. Tenho medo de perder alguém da minha família, alguém que eu goste.
Nem quero falar sobre o comportamento do Governo Federal frente a isso tudo.

Eu li no final do ano passado ou início desse ano sobre uma previsão espírita que dizia que muitas almas iriam desencarnar nesse ano de 2020. Lembro que falava em uma grande leva de almas que iria deixar a Terra, algo assim. Pensei em algum grande acidente, não conseguia ter ideia do que poderia acontecer, não imaginaria que um vírus traria essas consequências. Se a "profecia" foi verdadeira? Não sei, me parece que todos os anos tem a essa mesma profecia, não me dei tempo para isso ainda.

Ficar todos esses dias em casa é estranho. Eu trabalhei dois dias à distância na particular e entrei em férias (mais fácil que daí não precisam me dar férias depois e acham q eu sou dispensável mesmo). Foram boas as férias pq não precisei estar me preocupando com o trabalho. Mas hoje precisei voltar ao home office e não pude deixar de me estressar assim que abri os emails. Como eu já comentei aqui, não está fácil.

Mas ficar em casa nessas duas semanas com o Mozi foi interessante. Ele está sempre de boa. Não se culpa, não se estressa. Eu estou o tempo todo me culpando por não estar estudando, por não estar fazendo isso ou aquilo. Meu psicológico que me sabota as always.
Eu me cobro por não ter terminado o tapete do banheiro, por não ter limpado as janelas da sala e cozinha, por não ter limpado os vidros, por não ter feito ainda o PPI, por não ter colocado as aulas e faltas no sistema, por não ter lido vários livros nesse tempo (li dois) e não estar lendo nada agora, por estar dormindo demais (hoje levantei da cama quase meio dia), enfim, várias coisas.
O Mozi é muito tranquilo. Ele anota o que está faltando para comprar no mercado. Ele vai ao mercado e compra. Ele toma a iniciativa para fazer comida: levanta e faz. Me pede quando precisa de ajuda, mas pesquisa muito na internet. Gosta de passar aspirador e só reclama do cheiro de Qboa que faz mal pra ele (meu pai sempre reclamou também). De maneira geral, eu não posso reclamar. É muito mais organizado do que eu, coloca as roupas sujas e limpas no lugar certo. Aliás, quem organizou o roupeiro foi ele. Dobrou tudo, colocou em cabides, organizou prateleiras, enfim. Fez tudo lindo.
Nós cozinhamos, assistimos séries, conversamos, ouvimos música (muita música). Está sendo muito boa a convivência. Ainda bem que pudemos passar juntos essa fase. Já pensou ter que ficar todo esse tempo separado? Nós, que sempre nos vimos desde o início do relacionamento. Às vezes discordamos, rola um clima chato, mas logo se resolve. O estresse do confinamento colabora.

Tiveram dias que eu pensei que entraria em parafuso. Dias lindos de sol (hoje é o primeiro que amanheceu chovendo e continua chovendo até agora) mas aqui dentro eu sentia como se fosse o pior inverno. Hoje que fiquei até mais tarde na cama me senti como me sentia em Portugal, nos dias chuvosos e frios onde eu precisava muito estudar. Uma angústia que dói e desanima e dá menos vontade ainda de fazer qualquer coisa.
Eu sei que a maneira de eu parar de me cobrar é fazer e deixar feito de uma vez. Mas, como já disse, essa angústia destrói qualquer vontade de qualquer coisa.
A última vez que fui na psicóloga foi no início de fevereiro. Março não tive dinheiro e abril também não teremos.
Tem isso também: estamos apertadíssimos financeiramente. Tipo, no vermelho.

Eu estava muito chateada com a particular e achei melhor vir aqui escrever para poder desabafar. Já faz três horas que intercalo o que estou escrevendo aqui com o trabalho.

Acho que era isso. Tentei deixar a parte boa pro final mas acabei estragando. Mas tudo bem.
Espero que eu possa postar coisas boas em breve.