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segunda-feira, 21 de abril de 2014

Ele

Ele espera encontrar alguém que goste dele. Que entenda sua timidez e seu jeito, seus gostos e defeitos. Ele gosta de sair, conversar e passear, mas sua timidez o impede de muitas coisas. Ele espera por alguém que o chame à conversa. Alguém que o faça se sentir à vontade, que o faça esquecer a timidez e a saudade de casa.
Quem sabe ela seja esta pessoa? Não, provavelmente não, ela deve ter quem a espera. Por que ela sente tanta falta de casa? Deve ser um amor esquecido. Só pode ser. A timidez dele não o deixa ir além de um braço dado na rua. De uma conversa sobre tradições regionais. De um almoço na cantina da universidade. Quiçá conversar sobre amores. E ele tem pouco tempo por aqui, nem vale a pena tentar conquistá-la, afinal a distância de seus lares é tamanha... É mais seguro cultivar uma leve amizade.
O tempo passa rápido, daqui a pouco ele estará de volta à sua casa, e talvez encontre essa pessoa que ele procura. Ele espera, um dia, encontrar.

Ela

Ela anseia por alguém. Não precisa ser lindo e perfeito, só alguém que dê sentido a tudo isto. Alguém que lhe ocupe os pensamentos de todo o dia, que se preocupe com ela e que dê motivos para que ela sinta preocupação. Sim, porque ela vive preocupada sem motivos. Ela espera por alguém que compreenda e supra suas esperanças e seus desejos, alguém que a entenda e não fique lamentando a solidão. Alguém que deseje sua presença, alguém que agradeça sua existência e sua amizade, carinho e cuidado. Alguém que reconheça sua bondade, e que veja em seus raros atos infantis e arrogantes a preocupação (também rara) com si mesma.
Ela já está cansada de ficar sozinha. Cansada de estar se iludindo com pequenos atos. De não entender como aquela menina chata do cabelo seboso acaba as noites sempre acompanhada enquanto ela, simples, meio tímida (mas com cabelo limpo) e de riso fácil sempre acaba sozinha.
Ao mesmo tempo que um 'dar as mãos na rua' ou 'dar o braço' a ilude, também a irrita. Porque, querendo ou não, ela ainda acredita que o amor comece nessas pequenas coisas. Então, ela acaba iludida. Mas irrita-se porque sabe que isso significa nada, que tantas outras vezes isso aconteceu e parou por ali, e ela está se iludindo novamente. E irritando-se com ela mesma, novamente. E com esses meninos inúteis, novamente.
Ela encanta-se com gentilezas. Uma gentileza faz a semana dela melhor! É tão difícil de encontrar neste país de pessoas fechadas, sérias e irritadiças. Mas faz tão bem...
Será que é romântica demais? Deveria desistir do amor? Mas ela já é tão grossa às vezes, se desistir, passará a ser uma velha rabugenta.
Bom, pelo visto vai esperar até a eternidade por alguém. Se ao menos aprendesse a viver bem sozinha, seria mais fácil. Mas isso é muito mais difícil do que parece.